Custo por visita do promotor de vendas é o número que separa uma operação de campo rentável de uma que sangra sem o gestor perceber. A maioria das empresas sabe quanto paga de salário. Poucas sabem quanto cada visita ao PDV realmente custa quando encargos, deslocamento e overhead entram no cálculo. Essa diferença entre o custo aparente e o custo real é onde o budget vai embora.
Este artigo mostra a fórmula completa do CPV, os componentes que mais são esquecidos no cálculo e os quatro erros operacionais que inflam o número sem que o gestor perceba. Ao final, você terá um benchmark por região e as alavancas concretas para reduzir o custo por visita sem cortar equipe.
O que é o custo por visita
O custo por visita (CPV) é o valor total gasto para que um promotor execute uma visita a um PDV, do deslocamento até o encerramento do checklist. É um indicador de eficiência operacional: quanto mais visitas por dia e quanto menor o custo fixo por promotor, menor o CPV.
O CPV responde a uma pergunta direta: quanto estou pagando para que alguém execute uma ação no ponto de venda? Quando você não sabe essa resposta, toma decisões sobre cobertura, frequência e modelo de contratação sem base. Aceita renegociar um contrato com a agência sem saber se o preço ofertado é bom. Aumenta a frequência de visitas sem calcular o impacto no budget.
Saber o CPV é o pré-requisito para qualquer decisão de escala na operação de campo.
Fórmula completa do CPV
A fórmula básica é:
O período de referência costuma ser o mês. Você soma todos os custos do promotor no mês e divide pelo número de visitas que ele realizou. O resultado é o custo unitário de cada visita.
Exemplo com números reais:
| Componente | Valor mensal (SP) |
|---|---|
| Salário bruto | R$ 2.100 |
| Encargos sociais (~72% sobre salário) | R$ 1.512 |
| Deslocamento (VT + refeição) | R$ 680 |
| Overhead operacional (app, supervisor, treinamento) | R$ 420 |
| Total mensal | R$ 4.712 |
Com 55 visitas realizadas no mês: CPV = R$ 4.712 ÷ 55 = R$ 85,67 por visita.
Com 70 visitas no mesmo custo fixo: CPV = R$ 4.712 ÷ 70 = R$ 67,31 por visita.
A diferença de 15 visitas a mais por mês reduz o CPV em 21% sem alterar nada no custo do promotor. Essa é a razão pela qual otimização de rota é a alavanca de maior retorno na gestão de campo.
Componente 1: salário e encargos
O salário bruto é só o começo. O custo real de um promotor CLT inclui encargos que somam entre 65% e 80% sobre o salário, dependendo do regime e das convenções coletivas aplicáveis. Os principais:
- INSS patronal: 20% sobre a folha (ou 4,5% no Simples Nacional para categorias elegíveis)
- FGTS: 8%
- Provisão de férias: 11,11% (30/12 + 1/3 constitucional)
- Provisão de 13º salário: 8,33%
- Provisão de aviso prévio: entre 2,5% e 4%, dependendo do tempo de casa
- RAT (acidente do trabalho): 1% a 3% dependendo da atividade
- Sistema S (SESC, SENAC, SEBRAE): cerca de 5,8%
Somando tudo, o custo real do salário para a empresa fica em torno de 1,68x a 1,78x o salário bruto. Um promotor com salário de R$ 2.100 custa entre R$ 3.528 e R$ 3.738 apenas em salário mais encargos, antes de qualquer benefício ou deslocamento.
Gestores que calculam o CPV usando só o salário bruto subestimam o custo em até 40%. Esse é o erro mais comum e o que mais distorce decisões de escala. Para entender todos os componentes da conta, veja quanto custa um software de gestão de promotores e como ele se paga ao reduzir o custo por visita.
Componente 2: deslocamento
O deslocamento é o componente mais variável do CPV e o mais influenciado pela qualidade da roteirização. Inclui:
- Vale-transporte: o promotor tem direito ao VT integral para o trajeto. Em SP, uma passagem de metrô + ônibus custa R$ 5,50 (2026). Um promotor que visita 5 PDVs em dias úteis pode gastar R$ 11 em transporte por dia, ou R$ 242 por mês.
- Vale-refeição: entre R$ 30 e R$ 45 por dia útil dependendo da CCT, resultando em R$ 660 a R$ 990 mensais.
- Quilometragem ou aplicativo: quando o promotor usa carro próprio ou app de transporte, o custo por km ou por corrida precisa ser reembolsado e entra no CPV.
O erro de roteirização que mais infla o custo de deslocamento é agrupar PDVs por ordem alfabética ou por cliente ao invés de por proximidade geográfica. Um promotor que percorre 40 km por dia em deslocamento entre PDVs próximos uns dos outros pode percorrer 18 km com a rota otimizada. O tempo economizado vira mais visitas, o custo de transporte cai e o CPV despenca.
Componente 3: overhead operacional
Overhead é tudo o que a operação consome além do promotor em campo. É o componente menos visível e o que mais varia entre empresas organizadas e desorganizadas:
- Custo de supervisão: o salário do supervisor rateado pelo número de promotores que ele gerencia. Se um supervisor gerencia 12 promotores a R$ 4.500 mensais (com encargos), o rateio é R$ 375 por promotor por mês.
- Software de gestão: o custo por usuário do aplicativo de campo, dividido pelo número de visitas. Se você paga R$ 2 por visita no PMR, esse componente é fixo e previsível.
- Treinamento e onboarding: custo diluído ao longo do contrato. Um treinamento de R$ 300 para um promotor que fica 18 meses equivale a R$ 16,67 por mês.
- Gestão administrativa: tempo de RH, folha de pagamento, auditorias trabalhistas. Em operações grandes, esse custo costuma ser subestimado ou não rateado para o CPV.
Os 4 erros que inflam o CPV
Calculamos CPV de dezenas de operações ao longo dos anos. Os erros abaixo aparecem com frequência e, quando corrigidos, reduzem o CPV entre 15% e 35%.
1. PDVs de baixo retorno na rota fixa
Lojas com baixíssimo sell-out, localizadas em extremos da rota geográfica, que consomem 30 minutos de deslocamento para uma visita de 10 minutos. Cada um desses PDVs eleva o CPV de toda a rota. A solução é auditá-los trimestralmente: se não geram resultado em dois ciclos consecutivos, saem da rota ou passam a ter frequência menor.
2. Promotor que faz relatório no fim do dia
Relatório manual feito fora do horário de campo é hora extra velada. Um promotor que anota dados em planilha após o expediente, envia foto por WhatsApp e aguarda confirmação do supervisor perde entre 30 e 60 minutos por dia em atividade improdutiva. Em 22 dias úteis, são até 22 horas a mais de custo sem visita realizada. O checklist digital feito no PDV, com foto e GPS integrados, elimina esse tempo.
3. Ausências não gerenciadas
Um promotor CLT que falta dois dias por mês continua custando 100% do valor mensal e realiza 10% menos visitas. O CPV sobe automaticamente. Operações sem controle de presença em tempo real não detectam esse padrão até o fechamento da folha. Tecnologia de check-in por GPS com alerta de ausência resolve em tempo real.
4. Modelo de contratação errado para o volume
CLT fixo para cobertura sazonal e pay-per-visita para alta frequência são os dois modelos invertidos que geram desperdício. Manter um promotor CLT para visitar 15 PDVs por mês em períodos de baixa demanda pode custar R$ 300 por visita. O mesmo PDV no modelo pay-per-visita custaria R$ 2. A análise de sazonalidade da operação define qual modelo é mais eficiente para cada segmento da rota.
Benchmark: CPV médio por região
Os valores abaixo são estimativas baseadas em operações reais monitoradas pelo PMR em 2025-2026. Consideram promotor CLT com rota de 4 a 6 visitas por dia em varejo alimentar:
| Região | CPV sem otimização | CPV com rota otimizada |
|---|---|---|
| São Paulo (capital) | R$ 90–110 | R$ 65–80 |
| Rio de Janeiro | R$ 85–105 | R$ 62–78 |
| Capitais do Sul | R$ 75–95 | R$ 55–70 |
| Interior SP e MG | R$ 65–85 | R$ 48–62 |
| Nordeste (capitais) | R$ 60–80 | R$ 45–60 |
O diferencial entre "sem otimização" e "com rota otimizada" representa principalmente a redução do tempo de deslocamento e o aumento de visitas por dia, sem alterar o custo fixo do promotor.
Como reduzir o custo por visita
As alavancas de redução do CPV estão em dois grupos: aumentar o denominador (mais visitas) ou reduzir o numerador (menos custo por promotor).
Aumentar visitas por dia
Roteirização automática por proximidade geográfica é a alavanca de maior impacto. Operações que passam de 4 para 6 visitas diárias com a mesma equipe reduzem o CPV em até 33%. Isso exige software com otimização de rota, não planilha com ordem manual de PDVs.
Eliminar PDVs ineficientes
Auditar trimestralmente os PDVs com menor sell-out e maior tempo de deslocamento. PDVs que custam acima de 1,5x o CPV médio da rota e geram menos de 0,5x a venda média são candidatos a corte ou redução de frequência.
Digitalizar o relatório de campo
Checklist digital com GPS, foto e evidência integrados no PDV elimina o tempo de relatório manual e reduz o overhead de supervisão. Supervisores gastam menos tempo consolidando dados e mais tempo em análise e decisão.
Reduzir ausências com controle em tempo real
Alertas de não check-in permitem reação no mesmo dia: redistribuir a rota para outro promotor ou acionar cobertura. Ausências gerenciadas em tempo real reduzem o impacto de faltas no CPV mensal.
CLT próprio vs. pay-per-visita
Nenhum modelo é universalmente melhor. A escolha depende do volume e da regularidade da operação:
CLT próprio é mais eficiente quando: a frequência de visitas é alta (4+ dias por semana por PDV), a operação é estável ao longo do ano e o volume justifica a estrutura de RH e supervisão. Nesses casos, o custo fixo é diluído em muitas visitas e o CPV fica abaixo de R$ 70 nas grandes capitais.
Pay-per-visita é mais eficiente quando: a operação é sazonal ou irregular, a cobertura é geográfica ampla sem volume para justificar CLT fixo em todas as praças, ou quando a empresa quer testar PDVs novos sem comprometer budget fixo. No modelo PMR, o custo é de R$ 2 por visita sem mensalidade, sem mínimo de visitas e sem contrato de fidelidade. Conheça em detalhe como funciona um software de trade marketing no modelo pague só por visita antes de definir o contrato.
Muitas operações de maior escala usam os dois modelos combinados: CLT para a rota principal de alta frequência e pay-per-visita para a cobertura de cauda longa e datas sazonais. Essa combinação costuma entregar o menor CPV médio total.
O primeiro passo para qualquer decisão de modelo é calcular seu CPV atual. Sem esse número, qualquer comparação é intuição. Com ele, a decisão é matemática.
Use o simulador do PMR para ver o custo por visita real da sua equipe e quanto você pode economizar com rota otimizada.
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